Conforme diria Vargas Llosa, um dos meus escritores sul-americanos predilectos, a felicidade e a democracia não produzem boa literatura. Assim sendo viver no limbo da neurose e do eclipse racional é uma escolha por mim assumida desde o primeiro dia. Não quero, não aguento, não suporto viver cómoda e sem uma constante angústia pois só assim consigo ser artista. Porém, viver num sistema político que não uma democracia é para mim totalmente impossível. Liberdade acima de tudo: acima da vida e até da obra.
Toda a complexidade dos pensamentos que trespassam minha mente devem ser entendidos como um reflexo de um pessimismo, próprio daqueles que não são felizes por opção. Vivo não para mim, não para os outros; vivo para o que escrevo, para o que crio. Entendo o mundo não como um lugar que me é familiar. Sou extraterrestre do pensamento dos demais. A felicidade não é um objectivo a atingir, dela fujo porque ela não é saudável para minha obra.
23 de Maio, 2010