Limbo de um tempo em nuvem, luz forte e branca; forma de escuridão ardente e dolorosa.

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Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

O meu crime, o meu castigo

Sou que nem um Raskólhnikov. Sozinha no meu canto abraço o mundo, despejo dinheiro sob os outros e brado a alegria suposta de ser humana. Invento crimes, arrependo-me, abro cabeças de velhas imaginárias, apoquento-me com tudo e com todos. Sou assim, próxima e tão distante no mesmo instante. Tenho também um amigo que me costuma dar trabalhos, que me dá atalhos para fugir mas eu não, prefiro persistir e talvez exercer o direito humano do arrependimento estúpido. Aquele em que se pudéssemos voltar atrás talvez mudaríamos algo. Mas a estupidez insiste exactamente aí: como pode alguém pensar em entrar na máquina do tempo, como pode alguém desafiar o Deus Kronos. Como pode alguém ser tão assim, tão ingénua. 13 dias à solta no mar, no deserto, num lugar liberto de gente. Uma culpa que emana de corpo que estorva todos e qualquer um.

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