Pedra Polida

Limbo de um tempo em nuvem, luz forte e branca; forma de escuridão ardente e dolorosa.

Aviso

Todos os textos deste blog estão registados na Inspecção Geral de Actividades Culturais (IGAC), registo de obras literárias e artísticas.

Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

Resto

Por vezes sinto-me calma
desfaço ninhadas de abraços em meu cérebro
cubro a face pelo estalo
esmago o olhar com pedras tísicas d'si.
Regresso-me em melancolia morta,
absorvo a chama
engulo a lança.

Resisto.
Invento quadrados ao sono,
nada é interessante...
odeio os de vez enquantos...
aqueles em que me sinto calma...

Domingo, 4 de Setembro de 2011

Férias. Fim da linha

Terminaram as férias. Será com grande gosto que voltarei a pegar "o touro pelos cornos" e voltarei à minha tese.


"...Aliás o Santa-Rita não aprecia ideias, nem belezas - apenas quer música..."

Mário Sá Carneiro, carta a Fernando Pessoa.



Mário tens tanta razão. Toda a poesia deve ter uma interpretação, essa mesma interpretação deve ser dada pelo autor e deve encontrar-se explícita no poema. É uma idiotice absoluta escrever poesia para alguns pseudo-intelectuais que, com vergonha da ignorância, acolhem e elogiam escritos pouco valorosos. Criem mas são sejam fáceis, a música não é tudo. MENSAGEM é também importante. Uma mensagem explicada não o descartar de responsabilidades do..."cada um interpreta como quiser".

Sábado, 3 de Setembro de 2011

Reflexões

Conforme diria Vargas Llosa, um dos meus escritores sul-americanos predilectos, a felicidade e a democracia não produzem boa literatura. Assim sendo viver no limbo da neurose e do eclipse racional é uma escolha por mim assumida desde o primeiro dia. Não quero, não aguento, não suporto viver cómoda e sem uma constante angústia pois só assim consigo ser artista. Porém, viver num sistema político que não uma democracia é para mim totalmente impossível. Liberdade acima de tudo: acima da vida e até da obra.

Toda a complexidade dos pensamentos que trespassam minha mente devem ser entendidos como um reflexo de um pessimismo, próprio daqueles que não são felizes por opção. Vivo não para mim, não para os outros; vivo para o que escrevo, para o que crio. Entendo o mundo não como um lugar que me é familiar. Sou extraterrestre do pensamento dos demais. A felicidade não é um objectivo a atingir, dela fujo porque ela não é saudável para minha obra.

23 de Maio, 2010

Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011

Fim de linha

Acordo com o som dos pássaros que pousados no parapeito da minha janela chilreiam numa sinfonia mágica, cheia de agudos e de ritmos absolutamente compassados, perfeitos. A luz entra em forma de clarão tão violento como leve, como calmo.

São oito horas. Os meus olhos abrem-se timidamente, vejo que os pássaros são pardais. Dois, talvez um casal; olham-me com ar desconfiado e avaliador. Estico os braços chamando a preguiça, voam os pardais, coloco-me de pé num ápice. Vou à janela, respiro o ar do mar, está com um cheiro diferente. Um cheiro a último dia em Miramar. Um misto de tristeza, alegria, sensações vagas, milagres oníricos apoderam-se de minha mente.

Depois do banho visto-me sem reparar muito bem se estou bonita, se estou feia e salto as escadas para apressadamente engolir alguma quantidade de leite e pão com qualquer coisa embutida. Pego numa maça à pressa, saio porta fora: ver o mar e a areia e o passadiço de madeira...sobre ele caminho, sobre ele tenho a sensação de voar por uma praia que é tão minha como minhas mãos. Mexo na areia, sinto o seu cheiro e mergulho no mar salgado e limpo da manhã. Aperta-se-me um frio pouco saudável, tão agradável quanto violento.

Regresso a casa com o espírito reformado, reformulado e, acima de tudo, com uma injecção de almas em mim. Coisas tão simples que fazem emergir tão complexos sentimentos. Tantas são as horas que vivemos alienados do belo, do autêntico do natural...tantos são os momentos nos quais não compreendemos o mundo. O céu, a terra, o mar, as montanhas, o deserto, a floresta...

Amanhã estarei em Paris. 5 dias mais de uma vida. Férias terminam dia 25, depois uma vida não melhor, não pior que a que tenho. A mesma vida, rotinas diferentes. Não concebo a minha existência a momentos demasiadamente iguais.

MS - Excertos: Notas de férias.
20-8-2011

Domingo, 14 de Agosto de 2011

Dia digno de comemoração

Finalmente encontrei a versão de 1953 do "Fausto" de Goethe com a tradução exímia do Agostinho D'Ornellas. Estava complicado encontrar a edição original. Mais um livro para o local dos "livros valiosos".

Domingo, 31 de Julho de 2011

Uma forma de tentar entender o existir.

Hoje vou à praia apanhar sol.



...

Não encontro título adequado a isto

Rebento. Amanheço.

Carrego o dia às costas do passado.
Projecto o agora no amanhã...
Invento uma mão recheada de sinais vagos,
quero indiscutivelmente ser mais,
passar além, dos demais
inverter a lógica
pensar sentidos
organizar.
Nada ao acaso
advento-me
invento-me
todos os dias...
nasço,
morro...
todas as horas...
apareço nova
vivo entre a lenda e a realidade.
Não, não sou mulher a dias do meu pensar
sou dona da minha casa
arrumo e imagino,
o complemento vivo d'mi
para outrem.

Segunda-feira, 25 de Julho de 2011

137 toneladas arrancadas das minhas costas...

Tenho mesmo que vos dizer. Hoje é um dia verdadeiramente especial. Perco noção das barreiras socialmente éticas e digo-vos sem meias tintas que quero dançar na minha varanda ao som da cidade nocturna de Buenos Aires. Desejo falar com alguém realmente interessante sobre tudo menos trabalho e, já bem de madrugada, deitar-me para só acordar bem tarde. De preferência no dia seguinte.

Acabo de dar um passo de gigante na minha tese e isso...merece comemoração!

Terça-feira, 24 de Maio de 2011

Bob Dylan - Tangled Up In Blue

Do canto

Reconheço que vivo para além do escuro, que relembro dias a fio o fio condutor da estátua de passagem. Mexo-me por dever, observo o contrabando no lado anterior a minhas costas. Respiro fundo.
1
2
3
Enalteço o leve começo e sinto sobre mim...
arrepios, rebeliões, arpadas rectas de remédios insolúveis; recados em ritmos refinados dos outros...

ah, aaaaaaaah camiões de areia que invadem a rital do cão. Clássicos no mundo absorvem todo o nosso tempo e opresenteesquecidoporentreásperoseimocionaisditames. Limbo de um tempo em nuvem, luz forte e branca; forma de escuridão ardente e dolorosa.

Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

Somos sombras de quem somos.

O primeiro poema que li em Buenos Aires:


Neste mundo em que esquecemos

Somos sombras de quem somos,

E os gestos reais que temos

No outro em que, almas, vivemos,

São aqui esgares e assomos.

Tudo é nocturno e confuso

No que entre nós aqui há.

Projecções, fumo difuso

Do lume que brilha ocluso

Ao olhar que a vida dá.

Mas um ou outro, um momento.

Olhando bem, pode ver

Na sombra e seu movimento

Qual no outro mundo é o intento

Do gesto que o faz viver.

E então encontra o sentido

Do que aqui está a esgarar,

E volve ao seu corpo ido,

Imaginado e entendido,

A intuição de um olhar.

Sombra do corpo saudosa,

Mentira que sente o laço

Que a liga à maravilhosa

Verdade que a lança, ansiosa,

No chão do tempo e do espaço.


Fernando Pessoa, 1934

Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

O meu crime, o meu castigo

Sou que nem um Raskólhnikov. Sozinha no meu canto abraço o mundo, despejo dinheiro sob os outros e brado a alegria suposta de ser humana. Invento crimes, arrependo-me, abro cabeças de velhas imaginárias, apoquento-me com tudo e com todos. Sou assim, próxima e tão distante no mesmo instante. Tenho também um amigo que me costuma dar trabalhos, que me dá atalhos para fugir mas eu não, prefiro persistir e talvez exercer o direito humano do arrependimento estúpido. Aquele em que se pudéssemos voltar atrás talvez mudaríamos algo. Mas a estupidez insiste exactamente aí: como pode alguém pensar em entrar na máquina do tempo, como pode alguém desafiar o Deus Kronos. Como pode alguém ser tão assim, tão ingénua. 13 dias à solta no mar, no deserto, num lugar liberto de gente. Uma culpa que emana de corpo que estorva todos e qualquer um.

Quinta-feira, 30 de Dezembro de 2010

Um aviso

Sou âncora. Praia de terra. Ventre de mulher. Espaço suado pelo decalcar mágico dos sentidos. Sou minha. Arcaboiços desmiolados, riscados ao on. Serpentinas de fábulas, anacronismos embebidos de radiantes martírios. Cenas oníricas se desenham na mente mais enregelada de frio que meia-conheço: a minha. Entre o baixo e o alto mora o médio. Rua sem saída, dou meia volta e olho na frente: direcção tédio.

Mais 6 dias por terras lusitanas.

Omphalos Artis regressa em 2011. Estamos a limpar a casa.
MS

Sugestões

Minha última aquisição. Devorei-o em muito pouco tempo. Um trabalho notável. Filosofia e literatura puras, de mãos dadas...lado a lado. Mais um número para compor a minha biblioteca pessoana.

Poderá ser repetitivo mas, quanto mais descubro de Pessoa, e quanto mais o comparo com outros grandes escritores continua a ser muito difícil encontrar alguém que o supere. Estará para nascer o supra-pessoa.

Boa prenda para dia 6, no caso dos nossos vizinhos.

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